
O avanço de candidaturas impulsionadas pela polarização ideológica nacional transformou o cenário eleitoral no Grande ABC e barrou a chegada de quadros ligados ao prefeito de São Bernardo do Campo, Marcelo Lima, ao Poder Legislativo. O trio formado por Ivan Silva (Podemos), Fran Silva (Podemos) e Julinho Fuzari (Republicanos) não obteve vaga para a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), prejudicado pela migração de votos locais para figuras de fora da região ligadas tanto à direita quanto a setores da esquerda. Apesar da derrota nas urnas, a avaliação interna do grupo é de que o projeto político local saiu fortalecido do pleito.
Juntos, Ivan, Fuzari e Fran somaram 142.382 votos. No entanto, a fragmentação e a diluição do eleitorado do Grande ABC impediram que os números individuais atingissem o patamar necessário para garantir cadeira na Alesp.
Primeiro suplente do Podemos na Alesp, Ivan Silva ficou a apenas 5.255 votos de alcançar o correligionário Ricardo França, último eleito da bancada do partido. O vereador apontou a ascensão da bancada do PL — que abocanhou 27 cadeiras na Assembleia — como determinante.
Apesar de não assumir de imediato, Ivan ainda vislumbra uma cadeira na Casa. Presidente estadual do Podemos, o prefeito Marcelo Lima tem interesse direto na articulação política para alocar deputados eleitos da legenda no primeiro escalão do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos), o que abriria espaço para o aliado assumir a vaga como suplente no Palácio dos Bandeirantes.
Apesar de não assumir de imediato, Ivan ainda vislumbra uma cadeira na Casa. Presidente estadual do Podemos, o prefeito Marcelo Lima tem interesse direto na articulação política para alocar deputados eleitos da legenda no primeiro escalão do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos), o que abriria espaço para o aliado assumir a vaga como suplente no Palácio dos Bandeirantes.
Fran Silva seguiu a mesma linha de reflexão ao destacar sua inserção em quase 400 municípios paulistas e olhar para o futuro:
Líder do governo Marcelo Lima na Câmara dos Deputados e na articulação local, Julinho Fuzari celebrou a evolução de sua votação individual — que saltou de 33.734 votos em 2022 para 47.626 neste pleito —, mas fez um alerta sobre as perdas políticas para o bloco regional.
O Fenômeno do “Voto Invisível” e a Nacionalização das Urnas
A dinâmica das urnas no Grande ABC refletiu a força da comunicação digital e das pautas ideológicas sobre os votos regionais. O caso de maior apelo foi o de Eduarda Campopiano (PL), vereadora de Praia Grande que se consagrou a candidata mais votada da história recente do parlamento paulista, com 1.956.238 votos — sendo 107.273 vindos diretamente das sete cidades do Grande ABC e mais de 29 mil colhidos apenas em São Bernardo.
O mesmo fenômeno de atração de votos por figuras nacionais atingiu o eleitorado regional no espectro progressista:
- Eduardo Suplicy (PT): Reeleito para a Alesp com 654.627 votos no total, sendo 47.292 obtidos no Grande ABC.
- Sofia Favero (Psol): Puxada pelo engajamento da deputada federal Erika Hilton, registrou 407.773 votos no estado, dos quais 28.332 saíram de colégios eleitorais da região.
- Lucas Pavanato (PL): Puxadores de votos para a Câmara dos Deputados como Pavanato e a própria Campopiano concentraram 265.320 votos na região, ajudando a explicar a drenagem dos votos que costumavam abastecer postulantes locais.
Radiografia do Desempenho da Base Aliada
| Candidato | Partido | Votação Total | Situação no Pleito |
| Ivan Silva | Podemos | 48.389 votos | 1º Suplente (Alesp) |
| Julinho Fuzari | Republicanos | 47.626 votos | Não eleito |
| Fran Silva | Podemos | 46.367 votos | Não eleito |
Alerta Regional: Queda de 38% na Representatividade
Os dados confirmam o diagnóstico apresentado pelos aliados do governo municipal. Dos 11 deputados com reduto eleitoral no Grande ABC que tentaram a reeleição ou mudança de cargo neste ano, apenas dois conseguiram ampliar o volume de votos na região.
No total, o conjunto de candidaturas genuinamente locais acumulou 449.460 votos nas sete cidades — uma queda brusca de 38,39% em comparação aos 729.570 votos registrados por líderes locais em 2022. O esvaziamento das urnas regionais em favor de lideranças estaduais com apelo de redes sociais reconfigura o mapa político do ABC e impõe novos desafios de articulação ao prefeito Marcelo Lima para o próximo ciclo de gestão.
